Os Gafos e os Estudantes

Texto:Vilma Reis
Fotografia: Mário Canelas

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Os estudantes da Universidade de Coimbra recebiam privilégios quando o assunto era encarceramento. Professor da Faculdade de Letras, João Gouveia Monteiro explica que a Universidade gozou, desde o século XIV, de certa autonomia legislativa e judicial conferida pelo Foro Académico, que visava proteger a comunidade universitária outorgando-lhe privilégios variados: “Criou-se uma cadeia exclusiva para esta população, que assim não teria de conviver com outros criminosos no cárcere público. Esta prisão foi reconhecida nos Estatutos de 1591. Ali, puniam-se sobretudo incidentes disciplinares como roubo de livros, conduta inapropriada, questões ideológicas”, resume o historiador. Apesar de detidos, os estudantes eram acompanhados às aulas, de manhã, pela Guarda Real Académica, e regressavam à prisão ao final do dia.


A Prisão Académica tinha o poder de deter os estudantes prevaricadores através do seu corpo policial e, ainda, as mulheres consideradas escandalosas ou de mau exemplo. Na Idade Média, o medo do contágio da lepra em Portugal levava a que fosse pedido aos reis o afastamento dos doentes para espaços próprios, as chamadas «Gafarias» localizadas fora de muralhas. A vida dos acometidos com esta enfermidade desenrolava-se no interior dos muros das gafarias. Os «Lázaros», como também eram conhecidos, viviam nestas comunidades com suas próprias regras e os que não as cumpriam eram colocados em prisões especiais, num claro exemplo de rejeição dentro da rejeição.


Leia o texto na integra em 
https://coimbracoolectiva.pt/2022/03/12/os-aprisionados-e-encarcerados-de-coimbra-a-historia-das-cadeias-da-cidade/

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