quinta-feira, 7 de março de 2019


A CAPELA REAL DE S. MIGUEL 



Remonta aos inícios da nacionalidade portuguesa a fundação da capela real de S. Miguel nos paços da Alcaçova em Coimbra. Assentando nesta cidade a sua residência habitual, el-rei D. Afonso Henriques erigiu no seu próprio palácio uma capela, onde quotidianamente se celebrasse o sacrifício eucarístico, e se recitassem privadamente as horas canónicas, para satisfação da piedade de el-rei e da régia família. (...)

Grande era a devoção que o fundador da monarquia portuguesa tributava ao arcangélico príncipe da milícia celeste, em cuja proteção muito confiava.
Edificando a igreja do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, a ele fez consagrar a primeira das capelas laterais da nave da Epístola; em sua honra também erigiu capelas na igreja da Alcáçova de Santarém, e em Santa Maria de Alcobaça; fundou finalmente a notável ordem militar de S. Miguel da Ala, que em breve desapareceu, e cuja memória escassa ficou envolvida em denso nevoeiro de lendas.
Desde então os nossos reis e o povo português ficaram considerando o arcanjo S. Miguel como espírito tutelar, que vigia, protege e defende esta nação. (...)




Durante os primeiros reinados conservou-se em Coimbra a sede habitual da corte, e na capela real de S. Miguel manteve-se regularmente o culto.
Era nela que os nossos reis, e as pessoas das suas famílias, satisfaziam os seus deveres religiosos; a ela iam frequentemente implorar do céu a proteção e auxílio para as suas empresas e cometimentos bélicos. (...) 
Capela frequentada pela austera, adorável, virtuosíssima e muito popular esposa de D. Dinis, a rainha Santa Isabel, que nela recebia a sagrada comunhão das mãos do seu capelão Mestre Gonçalo, e assiduamente aqui viria suplicar graças e agradecer favores, cobrar alentos e desabafar mágoas, solicitar caritativamente perdões divinos e formar devotamente propósitos santos, pondo toda feuza em nosso Senhor Jesu Christo, & na Virgem Santa Maria sa Madre, & na Corte Celestial (declaração feita pela rainha Santa Isabel a 8 de Janeiro era 1363, logo depois da morte de D. Dinis) particularmente no príncipe da milícia angélica, em cuja honra se erguera este santuário!
Que variedade de impressionantes recordações que nos traz à imaginação esta antiga e nobre capela real de S. Miguel do paço dos nossos primeiros reis!
(...)

do livro Real Capela da Universidade, de Dr. António de Vanconcelos

sexta-feira, 1 de março de 2019

1 de Março de 1290. 729 ANOS de HISTÓRIA 

                                           "Documento Precioso" de fundação da Universidade


É este o documento mais antigo que atesta a existência da Universidade. Foi trazido para o Arquivo da Universidade em 1912, quando então se encontrava no arquivo do cabido da Sé de Viseu, por iniciativa do seu Diretor, o Doutor António de Vasconcelos que o designou "Documento precioso".
É hoje um dos mais preciosos tesouros que se conserva no Arquivo da Universidade de Coimbra.

O Estudo Geral do Reino ou Universidade Portuguesa fundada por D. Dinis, em Lisboa, a 1 de Março de 1290, mas só a 9 de Agosto o Papa Nicolau IV assinou a bula de confirmação: De statu regni Portugalise (Livro Verde da Universidade de Coimbra), criando o estudo sobre o Direito Canónico, Direito Civil, Medicina, Gramática e Dialética- as duas últimas constituíam as Artes. 

A 26 de Fevereiro de 1308, por bula do Papa Clemente V- Profectibus publicis- foi autorizada a transferência da Universidade para Coimbra. 
D. Afonso IV, transfere novamente a Universidade para Lisboa em 1338 e em 1354 volta de novo a Coimbra por determinação do mesmo rei. Em 1377, volta a Lisboa com o rei D. Fernando e só em 1537, a Universidade, o Colégio Real ou antes, as Escolas Gerais fixam-se definitivamente em Coimbra. 

Com Sete séculos e vinte e nove anos, a Universidade de Coimbra conta com um património material e imaterial único, peça fundamental na história da cultura científica europeia e mundial. Estudar e investigar na Universidade de Coimbra é dar continuidade à história da matriz intelectual do país, que já formou as mais destacadas personalidades da cultura, da ciência e da política nacional.


                                                                     Tradução portuguesa




                                                                     Transcrição latina



Fonte Arquivo da Universidade de Coimbra