segunda-feira, 29 de julho de 2019

Quando os sinos se calam...


Desde o século XIX, que os sinos marcam a vida dos estudantes, mas também de toda a cidade. 

Apesar dos sinos terem toques/funções diferentes, o sino das 18h é conhecido como a cabra, onde a academia é avisada que no dia seguinte devem vir às aulas e o das 7h30 da manhã, esse com um nome bastante mais forte é o cabrão porque tinha como função despertar os estudantes.” 

E a verdade é que algumas vezes, na história da academia os sinos se calaram. 

Em 1910, com a Implantação da República e com a suspensão das cerimónias académicas, bem como das praxes, o silêncio na torre imperou. Tendo sido interrompido em 1918, mas outras vezes houve, em que quer a cabra, quer o cabrão por motivos mais ou menos nobres também se calaram. 

No ano de 1863, quando foi chumbado um aluno de direito, nessa mesma noite houve um pequeno incêndio na casa do professor que tinha chumbado esse dito aluno. Ele foi levado a tribunal e no dia da audiência os colegas quiseram ir assistir julgamento. Estava-se a viver numa época em que as aulas eram obrigatórias e pediram ao reitor que lhes concedesse permissão para fazerem ponte nesse dia e o reitor negou-lhes essa prerrogativa. Nessa mesma noite, estudantes subiram à torre e silenciaram os sinos. Não tocando o sino pela manhã, não há aulas. 

60 Anos depois… Houve em Portugal uma grave epidemia de gripe que matou muita gente. O ministério, dada a violência da gripe, mandou encerrar todos os estabelecimentos de ensino… com a exceção da universidade. Alguns estudantes terão pensado, então quer dizer, nós não somos gente?! Subiram à torre e de novo, roubaram o badalo.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

O PAÇO DAS ESCOLAS NO SÉC XVIII


O Paço das Escolas, no decorrer do século XVIII verá grandes modificações, que lhe darão um aspeto muito próximo daquilo que encontramos hoje. 
As obras mais importantes foram a Via Latina, a construção da Biblioteca, a nova torre da universidade e inseridas na Reforma Pombalina, a remodelação dos Gerais do alçado norte do terreiro.

O frontispício da Via Latina, com a composição escultórica de Laprade é construído em 1700/01, garantindo um corpo central com dignidade aquela fachada. A construção da Biblioteca, entre 1716 e 1728, juntamente com as Escadas de Minerva, constituem uma significativa adição pela sua envergadura, fechando o conjunto edificado da ala poente. A sumptuosidade da decoração barroca no interior da biblioteca, contrasta com a simplicidade do seu exterior. Substitui-se a antiga torre de Ruão, por uma desenhada pelo arquiteto italiano António de Canevari, com cerca de 34 metros de altura. A torre sineira, de linhas severas quebradas apenas pelo delicado frontão, teve um raro acabamento em terraço, a fim de nele instalar um observatório, projeto que acabou por não se concretizar. 

O plano de intervenção da Reforma Pombalina, fez-se sentir em obras como o Laboratório Chímico, Colégio de Jesus ou Jardim Botânico, ou a construção do Observatório, no topo sul do Pátio  das Escolas, concluído em 1799.

terça-feira, 23 de julho de 2019

A ESCULTURA DE D. JOÃO III



Foi já no século XX, em 1944, que se deu o contrato entre a Comissão Administrativa do Plano de Obras da Cidade Universitária de Coimbra (CAPOCUC) e o escultor Francisco Franco, para a realização da escultura de D. João III. A representação do rei virada para o paço, uma vez que fora ele que cedera o espaço, em 1537 para acolher os estudos.

Francisco Franco coloca D. João III sobre um pedestal, encostando o Rei ao volume que se adensa e sobe, por detrás até à cintura. Esta opção formal definiu uma personagem mais descontraída, como se tivesse sido esculpida no momento em que se encostava a um qualquer objeto a olhar para a sua obra.

D. João III no meio da Pátio das Escolas, o que na realidade transmite é que cumpriu o que tinha destinado, mesmo a partir de Lisboa, transferindo para Coimbra a Universidade que nunca mais de cá saiu.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

A REFORMA MANUELINA DO PAÇO



Reconstrução volumétrica do projeto manuelino do Paço Real da Alcáçova (desenho de José Luís Madeira) do livro "A Morada da Sabedoria", de António Filipe Pimentel

Com a deslocação do centro de decisão para sul, no reinado de D. Dinis. o Paço Real é progressivamente abandonado, até ao século XVI quado D. Manuel decide fazer nele uma grande reforma e em 1517 contrata Marcos Pires, mestre da Batalha para fazer a obra.

Uma parte importante da imagem atual do Paço das Escolas nasce das obras de arquitetura da reforma manuelina. A acentuada inclinação dos telhados, sobretudo no corpo central (norte) salientando a grande sala de atos, a forte presença dos cubelos na fachada norte, construídos sobre as fundações dos cubelos da fortificação original, o edifício da capela e o seu portal virado para o terreiro, com inspiração naturalista que prolonga os colunelos da ombrira sobre as portas, envolve 6 símbolos importantes da icnografia nacional daquele período. Compõe o portal as cinco Chagas de Cristo, sobre a coroa de espinhos e os cravos, noutro plano a Esfera Armilar, a Cruz de Cristo e ao centro o escudo de Portugal.

O plano de obra tinha um programa ambicioso, mas ficou incompleto pela morte de D. Manuel em 1521, e do construtor, Marcos Pires em 1522. 

Na realidade a capela de S. Miguel é o único edifício do Paço Manuelino que se encontra de acordo com o traçado original.