quarta-feira, 21 de março de 2018


Via Latina


A Via Latina é a arcada que liga exteriormente a Reitoria, a Sala Grande dos Atos e os Gerais - seria inicialmente um eirado que permitia o acesso à antiga Sala do Trono pelo exterior. Foi adaptado já no séc. XVIII a acesso “comum”, uma forma inteligente de ligar estes três espaços. A sua forma atual chega-nos da reforma pombalina da Universidade, a partir de 1772: no centro encontramos uma alegoria a D. José I, original de Claude de Laprade no início do séc. XVIII, ladeada por duas figuras escultóricas mais antigas: Fortaleza e Justiça.

O nome Via Latina deve-se à Reforma de 1772. O Latim era a língua “oficial” da Universidade obrigatoriamente falado debaixo daquela arcada. A partir desta altura passou a ser o Português, que se mantém até à atualidade.


Porta Férrea

A Porta Férrea localiza-se ainda no local original de entrada da fortaleza muçulmana de Almançor. Manteve a sua forma quase inalterada até ao séc. XVI, quando foi ligeiramente modificada pelo Rei D. Manuel I.

A sua forma atual é dada por duas grandes intervenções durante o séc. XVII: a primeira com início em 1634 e a segunda em finais do séc. XVII.

A primeira reforma da Porta Férrea tem como objetivo a glorificação da história da Universidade. Estruturada como um arco triunfal, simétrico de ambos os lados, tem na fachada exterior a representação do Rei D. Dinis, o fundador do Estudo Geral em 1290, encimado pela figura da Sapiência – desde a sua origem a insígnia da Universidade. Abaixo e laterais à porta, as representações das Faculdades de Leis (esquerda) e Medicina (direita); na fachada interior, a coroar a porta, novamente, a Sapiência e abaixo o Rei D. João III – que transfere a Universidade em definitivo para Coimbra. Nas laterais, à esquerda encontramos uma representação da Faculdade de Teologia e à direita a Faculdade de Cânones.

Em finais do séc. XVII, com a grande reforma de D. Nuno da Silva Teles, o Colégio de São Pedro é ligado à Reitoria, estrutura que vai conferir o aspeto atual à Porta, visível o corredor que faz esta ligação.


terça-feira, 20 de março de 2018



Torre da Universidade

Esta ocupa o ângulo Noroeste do Pátio e foi construída entre 1728 e 1733, substituindo uma já existente erigida em 1561. Foi desenhada pelo arquitecto italiano António Canevari a trabalhar em Portugal ao serviço de D. João V.

Com 34 metros de altura e 184 degraus, trata-se de uma das melhores obras barrocas em Portugal, que fora criada para organizar a vida escolar num edifício nascido com outra vocação de carácter civil. Aloja os sinos e os relógios que durante séculos e ainda hoje ecoam na cidade de Coimbra e nas memórias dos estudantes, ex-estudantes e também habitantes.

In DIAS, Pedro; “O Património artístico da Universidade de Coimbra”. Ed.1990; Universidade de Coimbra





Sala dos Grande Atos | Sala dos Capelos

A principal e mais importante sala da Universidade de Coimbra, pois nesta são realizadas todas as cerimónias académicas solenes tais como os doutoramentos solenes ou Honoris Causa, a investidura do reitor e as sessões de abertura solene das aulas. Mas antes da instalação definitiva da Universidade no antigo Paço Real e da sua transformação em Paço das Escolas, esta fora a Sala do Trono e só em 1537 passou a ser usada para as mais importantes cerimónias da vida académica.
Nesta mesma sala se realizaram as famosas Cortes de Coimbra de 1385 onde se elegeu João, Mestre de Avis como João I Rei de Portugal, dando inicio à segunda dinastia, a dinastia de Avis.
A Sala dos Capelos passou por duas remodelações, uma primeira executada em 1639, por Marco Pires na altura em que D. Manuel Saldanha era reitor quando também fora realizado o tecto da sala pelo pintor portuense Jacinto da Costa, um especialista em grotescos já no ano de 1655, tecto de impressionantes dimensões; uma segunda durante as Reformas Pombalinas de 1773 durante o reitorado de D. Francisco de Lemos.
Esta sala é composta por uma excelente galeria de retratos a óleo dos reis de Portugal intercalados entre as janelas. Os dezoito quadros que representam os reis que antecedem D. João IV foram pintados por Carlos Falch. Os retratos de D. João IV, D. Pedro IV, D. Maria II e D. Pedro V, foram pintados por João Baptista Ribeiro (1790-1868). O retrato de D. Luís I de Portugal, pintado em 1862, foi executado por José Rodrigues, enquanto o retrato de D. Carlos I de Portugal, pintado em 1899, foi feito por Leopoldo Battistini, assim como em 1908 o do último monarca retratado, D. Manuel II de Portugal. Não estão na galeria os reis espanhóis. 




Carlos Seixas

José António Carlos de Seixas nasceu em Coimbra a 11 de Junho de 1704. Iniciou os estudos musicais com seu pai Francisco Vaz, tendo adquirido desde muito novo uma apreciável destreza no órgão.
Aos 14 anos substitui o pai, nas funções de organista da Sé de Coimbra e, dois anos mais tarde parte para Lisboa onde chega já com grande fama.       
Ao contrário dos seus contemporâneos, Seixas parece nunca ter saído de Portugal, tendo-se formado muito provavelmente na escola de seu pai, herdeira da tradição organística ibérica do século XVII.
Morreu com apenas 38 anos, (a 25 de agosto de 1742, de febre reumática) e se bem que uma grande parte da sua música tenha desaparecido aquando do terramoto de 1755, o pouco que nos chegou, apresenta-o como um compositor cheio de génio, digno representante da escola portuguesa.
Precedido de uma sólida reputação, foi admitido como organista na Santa Basílica Patriarcal de Lisboa e na Capela Real. Para além destas funções, compunha e ensinava cravo nas casas da corte.
Na mesma altura, D. João V contrata Scarlatti (cravista italiano para professor da sua filha D. Maria Bárbara e seu tio, o infante D. António) que ficou impressionado com o talento do músico português, quando o ouviu tocar.
Reza a história que, tendo o Infante D. António sugerido que Seixas tivesse lições com Scarlatti, este tenha respondido que deveria ser o músico português a dar-lhe lições a ele.
As sonatas de Carlos Seixas reflectem a ambiguidade estilística do período de transição das épocas Barroca e Clássica. Possuindo uma elegância e inspiração melódica, o seu fraseado é de carácter irregular e assimétrico e a sua linguagem é simples. As sua obras podem encontrar-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda e na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.