sexta-feira, 30 de agosto de 2019

CAPA e BATINA E A IGREJA??!!  Será que existe uma relação? 



O Traje académico, também conhecido por Capa e Batina, foi objecto de significativas transformações, no talhe e no aspecto, ao longo dos anos e tem a sua génese nas próprias vestes eclesiásticas.
A influência da Igreja no ensino, e, consequentemente, nos próprios estudantes, é um factor importante para explicar algumas particularidades que ainda hoje vigoram entre nós.
Realmente, tendo sido responsável pelo ensino superior até ao séc.XVIII, a Igreja, pelo estreito contacto que mantinha com o meio estudantil, veio a influenciar este com algumas características.
A mais vistosa é o próprio traje (como já atrás foi referido), no entanto, outras particularidades se podem salientar.

É de Praxe ter os botões do traje em número ímpar, os furos dos sapatos em número ímpar, os emblemas na capa em número ímpar, em suma, esta fixação pelo número ímpar vai ao ponto de não se dizer números pares e, em vez deles, dizer o número ímpar anterior mais 1. É uma particularidade, ou melhor, uma tradição, que encontra a sua melhor explicação nessa mesma influência que a Igreja teve na Universidade.

Este facto encontra fácil explicação na simbologia que os números pares e ímpares tinham para a Igreja Católica.

De facto, os números ímpares sempre foram os que mais significado tiveram para a Igreja Católica, salientando-se a simbologia do:
1: Deus;
3: Número da unidade e da Trindade. É usado para reforçar ou dar ênfase a uma expressão. Assim, quando se quer dizer que Deus é Santo, repete-se três vezes: «Deus é Santo, Santo, Santo». Deus abençoa três vezes. Três são os mensageiros que anunciam o nascimento de Isaac. É o número da plenitude e da santidade.
7: É a soma de 4 + 3. Por isso é o número perfeito, indica o máximo da perfeição; grande quantidade; totalidade; O sábado é o sétimo dia; Deus fez a Criação em 7 dias;a festa de Pentecostes acontece 7 vezes 7 dias depois da Páscoa; Cada sétimo ano é sabático (descanso para a terra e libertação dos oprimidos) e depois de 7 vezes 7 anos vem o Jubileu. Não se deve perdoar 7 vezes, mas 70 vezes 7, etc…

Por mera curiosidade, o número 4 significa os 4 elementos do universo, os 4 evangelhos, 4 cantos da terra, por isso associado ao 3 dá 7 que é o número perfeito.

Esta foi uma breve explicação do importante simbolismo que os números ímpares têm para a Igreja, que explica a sua adopção por esta como números favoráveis e, consequentemente, passaram para a Universidade.


Não esquecer que a maior parte dos números pares têm simbolismo feminino e os números ímpares têm simbolismo masculino, o que, também explica a preferência da Igreja pelos ímpares. Isto aliado ao facto do número par 6 ser o número imperfeito, sendo o 666 o número da besta (do diabo, satanás, demo, belzebu) conotado com o azar, má sorte, maldade, completa na perfeição a explicação da preferência pelos números ímpares.


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