segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Sabia que em Coimbra existiu um Castelo? 


                                                                                            Figura 1-Castelo de Coimbra


O sítio que hoje conhecemos como Largo de D. Dinis esteve ocupado, em tempos, pelo Castelo de Coimbra (vejam-se as figuras 1 e 2) (Alarcão, 2008). Não se sabe, ao certo, a data da sua fundação, mas a construção da torre de menagem é do reinado de D. Afonso Henriques e a da torre quinária ou de Hércules do tempo de D. Sancho I (1198) (Filipe & Teixeira, 2013). 
O castelo teve reformas nos reinados de D. Sancho I, D. Dinis e D. Fernando (Duarte, 2005) (Filipe & Teixeira, 2013). 
A Torre de menagem tinha cerca de 22 metros de altura e a torre quinária devia ter 26,5 metros (Alarcão, 2008). 
O seu desaparecimento deveu-se, em primeiro lugar, às demolições do século XVIII, para se construir um observatório astronómico (obra que não foi terminada) (Filipe & Teixeira, 2013) e, em segundo lugar, às obras do estado novo que destruíram o que restava do castelo (Duarte, 2005). Coimbra tinha, igualmente, uma muralha e um conjunto de 15 torres (Duarte, 2005). Juntamente com os castelos de Penela, Montemor-o-Velho, Soure ou Miranda do Corvo, o castelo de Coimbra pertencia á linha de defesa do Mondego, apresentando, assim uma relevante importância militar e política (Filipe & Teixeira, 2013) . 


                                                                 Figura 2- Localização do Castelo de Coimbra



                                                                                                                   Figura 3-Planta do Castelo



Miriam Rocha
Fevereiro de 2019




Referências Bibliográficas:
Alarcão, J. d. (2008). Coimbra: a montagem do cenário urbano. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.
Duarte, B. (2005). Coimbra,cidade muralhada. Arquivo Coimbrão.Boletim da Biblioteca Municipal, 38, 93-108.
Filipe, S., & Teixeira, R. (2013). A intervenção arqueológica no largo do castelo de coimbra: Vestigios da Torre de Menagem.Abordagem preliminar dos resultados. Em I. Fernandes, Fortificações e Território na Peninsula Ibérica e no Magreb (Séculos VI a XVI)-Volume I (pp. 445-456). Lisboa: Edições Colibri& Campo arqueológico de Mértola.



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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

NASCERAM REIS NO PAÇO REAL DE COIMBRA


No Paço Real da Alcáçova, foi o local onde nasceram e viveram alguns dos Reis de Portugal durante a primeira Dinastia. E foi na Sala Grande dos Actos que ocorreram importantes episódios da vida da nação portuguesa, não fosse esta a Sala do Trono do Paço Real da Alcáçova, onde foi a aclamação de D. João I, Rei de Portugal.
Primeira Dinastia de 1143-1383.

Fotos dos quadros da Sala Grande dos Actos (Sala dos Capelos).


D. Sancho I “O Povoador” – 1185-1211

                                    

Nasceu em Coimbra, em 1154. filho de D. Afonso Henriques e de D. Mafalda de Sabóia. Casou com D. Dulce de Aragão, filha do conde de Barcelona. Herdeiro das virtudes militares de seu pai, continuou a luta encetada contra os mouros. D. Sancho I teve o cognome de “O Povoador”por ter mandado povoar as terras conquistadas. Faleceu em 1211, em Santarém. Sepultado no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, com seu pai D. Afonso Henriques.


D. Afonso II “O Gordo” – 1211-1223

                               

Nasceu em Coimbra, em 1185. Filho de D. Sancho I e de D. Dulce de Aragão, foi o sucessor de seu pai. Casou com D. Urraca, filha de Afonso VIII de Castela. D. Afonso II foi cognominado de “O Gordo” por ser muito gordo. A principal preocupação de D. Afonso II foi a administração do reino e convocou as primeiras Cortes portuguesas em 1211, em Coimbra. Prosseguiu, também, o alargamento do território. D. Afonso II faleceu em Santarém, em 1223. Jaz no Mosteiro de Alcobaça.


D. Sancho II “O Capelo” – 1223-1248



Nasceu em Coimbra, em 1209. Filho de D. Afonso II e de D. Urraca de Castela. Casou com D. Mécia Lopes de Haro, de Leão. D. Sancho II subiu ao trono aos 13 anos e foi cognominado de “O Capelo” por, em criança, ter usado o hábito de frade franciscano. Mostrou-se rijo na arte da guerra, como seu bisavô D. Afonso Henriques, mas foi um fraco administrador. Destituído de rei pelo Papa, em 1245, D. Sancho II exila-se em Castela. Morre em Toledo, em 1248, onde foi sepultado.


D. Afonso III “O Bolonhês” – 1248-1279



Nasceu em Coimbra, em 1210. Era irmão de D. Sancho II, a quem sucedeu. Casou com D. Matilde, condessa de Bolonha, e mais tarde casou com D. Beatriz de Guilhen. D. Afonso III foi cognominado de “O Bolonhês”por, ter casado com a condessa de Bolonha. Assumiu a Regência do Reino em 1245. Depois da morte de seu irmão, D. Sancho II, em 1248, foi proclamado rei. Protegeu a agricultura e desenvolveu o comércio e a indústria. Criou concelhos e concedeu muitos forais. D. Afonso III faleceu em 1279. Jaz no Mosteiro de Alcobaça.



D. Pedro I “O Justiceiro” – 1357-1367


Nasceu em Coimbra, em 1320. Era filho de D. Afonso IV, a quem sucedeu, e de D. Beatriz. Casou com D. Constança, de Castela. D. Pedro I foi cognominado de “O Justiceiro”, "Cruel" por ter aplicado uma justiça rigorosa e severa, igual para todos. Faleceu em Estremoz, em 1367 mas os seus restos mortais e de D. Inês de Castro encontram-se no Mosteiro de Alcobaça.


D. Fernando “O Formoso” – 1367-1383




Nasceu em Coimbra, em 1345. Era filho de D. Pedro I, a quem sucedeu, e de D. Constança. O seu casamento com D. Leonor de Teles, não foi bem recebido pelo povo, tendo até de sair de Lisboa para se poder casar sem tumultos. D. Fernando foi cognominado de “O Formoso”pela sua beleza e distinta figura. Morreu em 1383, deixando uma única filha, D. Beatriz, casada com D. João I, rei de Castela. Terminou, assim, a primeira dinastia, conhecida por “Afonsina” ou “de Borgonha”.




terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

«Basta de tanto sofrer!» uma história do Aqueduto de São Sebastião


O Aqueduto de São Sebastião, popularmente conhecido como os Arcos do Jardim, localiza-se na calçada Martim de Freitas, em frente ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, e remonta a um primitivo aqueduto romano, que abastecia a parte alta da povoação.

O atual aqueduto é obra do final do século XVI, sob o reinado de Sebastião de Portugal, com traça do arquiteto italiano Filipe Terzio. Aproveitando o percurso e possivelmente os restos do antigo aqueduto, ligava os morros onde se situavam o mosteiro de Santana e o Castelo de Coimbra, vencendo uma depressão em vinte e um arcos.
O Arco de Honra é de cantaria de pedra, e no seu topo destaca-se um conjunto de duas esculturas representando, do lado Norte São Roque, e do lado Sul São Sebastião.

Foram muito faladas algumas aventuras académicas nos arcos, sendo a mais conhecida a 1859-1860 um grupo de estudantes treparam ao alto do arco nobre em cima do qual se vê ainda hoje o baldaquino que cobre S. Sebastião e S. Roque e arrancaram as setas cravadas no mártir e deixaram um cartaz dizendo «Basta de tanto sofrer!»

Fonte: Trindade Coelho no seu livro “In Ill Tempore: Estudantes, lentes e futricas” (1902:346) 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019


O MOSAICO ROMANO



Na entrada principal da Reitoria, no Paço Real encontra-se uma vitrina com um fragmento de mosaico romano, o que provoca a curiosidade de muitos os que por ali passam.

 



O fragmento foi encontrado durante as escavações arqueológicas no pátio, em 2001 e terá segundo os arqueólogos pertencido à sala de uma casa senhorial romana. Este achado mostra a ocupação do espaço da universidade desde o século I / II.
A residência romana seria uma das construções da antiga cidade romana de Aeminium. O mosaico, que é um dos raros exemplos em espaços urbanos, mostra o mesmo tipo de motivos geométricos que eram comuns na região, provavelmente produto de uma oficina local.



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Amor a Coimbra

Um raio de luar 
Noite calma e bela
Um estudante a cantar
Sob uma janela
Te canto Coimbra
Com notas sem fim
Grandes como o amor
Grandes como o amor que eu tenho por ti

Tens a luz mais linda
Deste Portugal
Recantos de amor
A Lapa e o Choupal

A Rainha Santa 
Te abençou
Todo o que é poeta 
Todo o que é poema,sempre te cantou

Um raio de luar
Noite calma e bela
Um estudante a cantar
Sob uma janela
Te canto Coimbra
Com notas sem fim
Grandes como o amor
Grandes como o amor, que eu tenho por ti

Lindo é o Mondego
Que ouve a nossa voz
E vai em sossego
Lá longe para a foz
Nas águas vão notas
De um fado sofrido
Cada coração
Cada coração, canta o seu destino

Um raio de luar
Noite calma e bela
Um estudante a cantar
Sob uma janela
Te canto Coimbra
Com notas sem fim
Grandes como o amor
Grandes como o amor, que tenho por ti

Um raio de luar
Noite calma e bela
Um estudante a cantar
Sob uma janela
Te canto Coimbra
Com notas sem fim
Grandes como o amor
Grandes como o amor, que tenho por ti

Um raio de luar...




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

O RASGANÇO

Tradição académica que tem lugar normalmente lugar no largo da Porta Férrea e acontece quando o estudante faz o ultimo exame ou sai a última nota. Vêm com os amigos e companheiros celebrar o fim dos estudos e estes rasgam-lhe completamente as vestes estudantis, calças, batina e camisa, ao ponto de apenas restar no corpo do recém -licenciado o colarinho da camisa e a capa, esta acompanha o estudante até à morte. Podem  facilmente encontrar-se pedaços pretos e brancos do traje académico na Porta Férrea e estátuas.












segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019


FADO de COIMBRA


Alguns chamam-lhe “Fado de Coimbra”, outros “Canção de Coimbra”, “ Serenata Coimbrã”, “Balada de Coimbra”, “Fado-canção”, etc . Mas que género musical será este? 

Nas palavras de Francisco Faria é uma “canção terna, docemente saudosista, mas jovem no seu vigor, no idealismo das atitudes, na esperança de um amor realizável que se oferece, ao mesmo tempo espontâneo e elaborado, de melodia bem contornada e, simultaneamente, um pouco rebuscada e, por vezes, patente”[1]. Esta caracteriza-se por um “estilo vocal próprio: sério, elegíaco, lírico, docemente apaixonado sem objeto...”[2] e tem a sua expressão máxima nas serenatas, quer sejam realizadas por estudantes ou por “futricas” ( população conimbricense que não era estudante). No final do século XIX e início do século XX aparecem muitas notícias na imprensa que dão conta de “serenatas fluviais” organizadas pela população de Coimbra[3]. 

No que diz respeito às origens sabe-se que os estudantes sempre tiveram gosto de cantar durante a noite nas ruas. Em 1537, após a transferência definitiva da Universidade para Coimbra, os cantares noturnos dos estudantes foram alvo de algumas providências repressivas por parte de D. João III[4]. Existe uma carta de 1539 enviada pelo monarca ao reitor, na qual constam as regras que o meirinho devia seguir para acabar com alguns comportamentos menos próprios dos estudantes, tais como cantar de noite pelas ruas da cidade[5]. Mas não só os estudantes tinham hábitos musicais na cidade de Coimbra. Os habitantes da Urbe tinham as suas canções e festividades próprias, entre as quais se destacam as relacionadas com os santos populares, Santo António, São João e São Pedro, e com a padroeira da cidade, a Rainha Santa Isabel. Nestas festas, os estudantes participavam juntamente com a população. Eram muito apreciadas as famosas fogueiras de São João, encontrando-se diversas notícias a seu respeito durante o século XIX[6][7]. 

Para Luís Pedro Castela ( 2012) é da confluência da cultura musical da Academia com a cultura musical tradicional dos habitantes de Coimbra que surge o que chamamos agora de “Fado de Coimbra” ou “Canção de Coimbra”. 

As serenatas mais típicas são as de rua e têm como objetivo cortejar uma rapariga. Outro local privilegiado para serenatas é a Sé Velha. Considerada a «catedral do canto coimbrão», recebe as celebrações dos grandes acontecimentos da vida académica, no seu portal realizam-se as serenatas monumentais[8]. Antes do aparecimento de «escolas» de ensino da guitarra e do fado de Coimbra, predominava o autodidatismo e a aprendizagem através da transmissão familiar. 

Com o advento da rádio, em 1947, foi transmitida a primeira serenata em direto, pelo emissor regional de Coimbra. Em 1957 a televisão aparece em Portugal e, no mesmo ano, a RTP transmite em direto uma serenata de Coimbra, realizada nos estúdios do Lumiar[9].

Miriam Rocha 
Fevereiro de 2019 



Referências Bibliográficas

Borges, Nelson Correia ( 1987). Coimbra e Região. Lisboa: Editorial Presença.
Castela, Luís Pedro Ribeiro(2011). A guitarra portuguesa e a canção de Coimbra. Subsídios para o seu estudo e a sua contextualização.( Dissertação de Mestrado). Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal.
Faria, Francisco (1980).Fado de Coimbra ou serenata coimbrã? . Coimbra: Comissão Municipal de Turismo.
Rocha, Miriam (2012) O Museu Municipal de Coimbra. Contributo para o programa museológico do núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra. ( Relatório de Estágio, não publicado , para obter o grau de Mestre).Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal.
Vouga, Vera Lúcia( 1991). Na galáxia sonora: sobre o fado de Coimbra. Revista da Faculdade de Letras: Línguas e Literaturas, Série II, 8,47-62.



[1] Faria, Francisco (1980).Fado de Coimbra ou serenata coimbrã? . Coimbra: Comissão Municipal de Turismo.
[2] Vouga, Vera Lúcia( 1991). Na galáxia sonora: sobre o fado de Coimbra. Revista da Faculdade de Letras: Línguas e Literaturas, Série II, 8,47-62.
[3] Rocha, Miriam (2012) O Museu Municipal de Coimbra. Contributo para o programa museológico do núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra. ( Relatório de Estágio, não publicado , para obter o grau de Mestre).Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal.
[4] Borges, Nelson Correia ( 1987). Coimbra e Região. Lisboa: Editorial Presença.
[5] Castela, Luís Pedro Ribeiro(2011). A guitarra portuguesa e a canção de Coimbra. Subsídios para o seu estudo e a sua contextualização.( Dissertação de Mestrado). Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal.
[6] Castela, Luís Pedro Ribeiro(2011). A guitarra portuguesa e a canção de Coimbra. Subsídios para o seu estudo e a sua contextualização.( Dissertação de Mestrado). Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal.
[7] Rocha, Miriam (2012) O Museu Municipal de Coimbra. Contributo para o programa museológico do núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra. ( Relatório de Estágio, não publicado , para obter o grau de Mestre).Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal.
[8] Rocha, Miriam (2012) O Museu Municipal de Coimbra. Contributo para o programa museológico do núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra. ( Relatório de Estágio, não publicado , para obter o grau de Mestre).Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal.
[9] Niza, José ( 1999) Fado de Coimbra II. Amadora: Ediclube.